Capítulo Quatro

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    Jack precisava correr, devia adiantar a sua caminhada, pois logo iria escurecer.
    O garoto passou por diversas ruas e todas elas estavam literalmente vazias. Todo esse isolamento deixava Jack com medo, pois tinha a sensação de que em algum momento alguém iria aparecer, seja para ajudá-lo ou matá-lo. E toda a sua caminhada foi assim: Ele e o barulho de seus próprios passos.
    Depois de andar por volta de uns 20 quilômetros - o que levou 4 horas -, Jack tomou um susto ao de deparar com uma floresta.
    Não havia para onde ir, a mata fechava todas os lugares onde ele poderia passar. A única maneira era voltar ou entrar na mata.
    O garoto sabia que não podia adentrar na floresta dessa maneira, pois não sabia os perigos que podiam estar ali.
    Chegou perto da entrada da mata e percebeu que ela era rodeada por arame farpado, porém o mais intrigante era que havia uma parte em que ele estava cortado. Perto dessa abertura Jack encontrou, outra vez, um envelope.
    Abriu o bilhete e leu:

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Parabéns, Jack?

    Achou fácil chegar até aqui? Não fique tão feliz, meu caro. Eu sei que você está achando tudo estranho, mas não pense muito. Quer se manter vivo, não quer?
    Vou avisar: Dentro da mata você irá encontrar a minha única ajuda; uma garrafa de água, apenas isso. Corra para chegar a tempo, pois não será fácil.
    É lembre-se: Tudo isso é culpa sua.

Um amigo que odeia você.
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    O garoto estava atordoado. Suas mãos voltaram a tremer e a vontade de chorar voltou.
    Sua mãe sempre dizia que quando ele se sentisse sozinho era só cantar a música que ela lhe ensinou. E isso sempre funcionou, então o garoto cantou:

A noite vem chegando
E a solidão também.
Mas eu lhe digo:
Não se preocupe, meu bem.

Eu estou contigo,
Nada irá lhe acontecer.
Não tenha medo,
No final iremos viver.

    "Eu irei viver?" Pensou Jack.
    A música agora parecia tão real ao que se passava na vida de Jack. Ele precisava pensar.
    Já estava chegando a noite e o garoto procurou um lugar para deitar. Achou na entrada da mata um lugar limpo, sentou e encostou numa árvore e reparou ao seu redor.
    Havia apenas árvores enormes, pouco se via o céu. Não havia sons de pássaros, nem de animais, só se ouvia apenas o som do vento batendo nas folhas das árvores.
    Jack fechou os seus olhos, respirou fundo e voltou a pensar nos últimos acontecimentos. Por que tudo isso era culpa dele? Por que só havia ele? Quem estaria mandando bilhetes? Por que essa pessoa o odiava e mesmo assim o ajudava? Jack era o único a não saber de tudo? Por quê?
    O garoto sabia que precisava chegar onde quer que seja à tantos quilômetros. Não se importava em morrer, mas, mesmo assim, lutava pela vida.
    Jack pegou a sua bolsa para ver o que trouxe e se conseguiria sobreviver nos próximos seis dias.
    Havia três maçãs, um mamão, um pacote de biscoito de polvilho, duas barras de cereais, algumas balas e chicletes de menta, dois sucos de 200 ml de morango e apenas uma garrafa de um litro de água. Além de um álbum, talheres e... Os bilhetes.
    O garoto se arrependeu instantaneamente de ter trazido apenas doces. Não importava o que ele fizesse, Jack já tinha uma certeza: A água iria acabar antes de chegar ao seu destino.
    Guardou tudo e colocou a bolsa nas suas costas, não poderia perder ela. Encostou a cabeça na árvore, dormiu e, como sempre, sonhou.

***

    Jack estava brincando em seu quintal com seu cachorro Toby. O cachorro corria atrás da bolinha e sempre a trazia de volta para o garoto.
    A felicidade que Jack sentia naquele momento era imensa, seu sorriso era uns dos mais verdadeiros de sua vida, a cada lançamento o seu coração se enchia de pura alegria.
    Houve um momento de silêncio. O cachorro começou a latir e olhar pro céu, o garoto também olhou. Algo estava descendo rápidamente, Jack estava paralisado e seu cachorro também.
    Era uma pedra gigante, porém nada igual as pedras desse mundo. Ela era enorme, tinha algo de metálico, era revestida por algum tipo de "espinho".
    A pedra foi na direção do cachorro, que não saiu do lugar e continuou latindo.
    O objeto acertou o animal, o esmagando. O cachorro não teve nem tempo de dá o seu último suspiro, morreu instantaneamente.

***

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NOTA: Mil desculpas se fiz alguém chorar. Eu também tremi muito escrevendo. Como pude matar um cachorro?
Eu não expliquei as aparências do cachorro, pois queria que vocês imaginassem.
    Ah, é bolacha ou biscoito? Haha
Muito obrigada por tudo gente.
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